Marselha te engana, é um verdadeiro museu a céu aberto para quem ama arquitetura. Você chega achando que é só mais uma cidade portuária no sul da França…e, quando percebe, está caminhando entre séculos de arquitetura. 

Tudo convive. Tudo conversa.Não visite Marselha com pressa. 

Caminhe. Observe. Compare.

Entre construções históricas, monumentos imponentes e intervenções modernas, a cidade oferece uma mistura fascinante de estilos,  e o melhor: muitas dessas atrações podem ser visitadas gratuitamente.

Se você quer explorar a arquitetura de Marselha sem gastar quase nada, este post reúne os principais pontos que não podem ficar fora do seu roteiro. 

Marselha é um destino fascinante para quem ama arquitetura, uma das cidades mais subestimadas da França. Claro que tem um problema social grave, há anos. Na série Marseille com Gerard Depardieu, que interpreta um politico (prefeito da cidade) mostra bem isso.  Mas Marselha é uma cidade segura para visitar e que vale a pena.


Explore o bairro mais charmoso: Le Panier

O Le Panier é o bairro mais antigo e pitoresco de Marselha, localizado ao lado do Porto Velho. Caminhar por suas ruas estreitas é como voltar no tempo.




Com fachadas coloridas, arte urbana e um ambiente tipicamente provençal, o bairro é perfeito para explorar sem pressa. Você encontrará pequenas lojas de artesanato, cafés aconchegantes e praças cheias de charme.
Aqui, a arquitetura não está apenas nos edifícios, mas na forma como o espaço urbano foi moldado ao longo dos séculos.


Vieux-Port: evolução urbana e contraste arquitetônico

O Porto Velho (Vieux-Port) é o coração urbano de Marselha e um excelente exemplo da evolução arquitetônica da cidade.Perfeito para passear, visitar o mercado de peixes pela manhã e absorver a atmosfera

                                                                 

Ao redor do porto, é possível observar edifícios históricos convivem com intervenções contemporâneas, refletindo a evolução urbana de Marselha ao longo dos séculos.



Hôtel de Ville: resistência histórica

Apesar do nome, o Hôtel de Ville não é um hotel, mas sim o edifício da prefeitura da cidade. 

Construído no século XVII (entre 1653 e 1673), destaca-se pela sua elegante fachada. Localizado no Vieux Port ou  Porto Velho, o Hôtel de Ville, é um raro exemplo de arquitetura barroca provençal que sobreviveu à destruição da Segunda Guerra Mundial.

Sua presença no Vieux Port reforça sua importância histórica e urbanística.Hotel De Ville: 

Miquel Serra i Arbós (1658-1733) foi um pintor que deixou dois relatos gráficos da Grande Peste que assolou Marselha em 1720 e que aparecem o Hôtel De Ville. 

Essas duas grandes pinturas podem ser vistas no Museu de Belas Artes que fica no Palacio Longchamps e tem entrada gratuita. Embora as pinturas sejam assinadas com um nome de sonoridade francesa (Michel Serre), seu autor nasceu em Tarragona em 1658, se tornou o pintor mais famoso de Marselha (1680-1730).



 L’Ombrière de Norman Foster: arquitetura contemporânea minimalista

Um dos exemplos mais interessantes da arquitetura contemporânea na cidade é a L’Ombrière, projetada por Norman Foster. Fica no Porto, tem  em frente uma entrada do mêtro e debaixo da estructura se realiza pelas manhãs o mercado de peixes.

Trata-se de uma cobertura espelhada minimalista instalada no Vieux Port. Sua estrutura cria um jogo visual com reflexos da cidade e das pessoas, transformando um simples espaço público em uma experiência arquitetônica interativa.


Catedral de La Major

Catedral de La Major (Cathédrale de la Major): Uma impressionante catedral neobizantina ao lado do porto. Seu estilo neobizantino , o uso de pedras em tons contrastantes e suas grandes cúpulas fazem dela um dos edifícios mais marcantes da paisagem marselhesa. É enorme. Como está localizada próxima ao mar, sua arquitetura foi pensada para ser vista à distância, quase como um marco visual para quem chega à cidade.








                                      

                                                                       


Palácio Longchamps:

 Um palácio monumental com uma fonte e belíssimos Jardins públicos.é um exemplo de como arquitetura e engenharia se unem.

                                                             

Construído para celebrar a chegada da água à cidade, o complexo combina colunatas clássicas, esculturas e jardins, criando um espaço monumental e ao mesmo tempo funcional.






Aproveite também para visitar o Museu de Belas artes, e o Museu de Ciencias


Basílica Notre-Dame de la Garde: símbolo neobizantino. 

Conhecida como "a Boa Mãe",  é um dos pontos mais emblemáticos da cidade — e a visita é gratuita. O ônibus te deixa bem no pé do morro, já tem a penitência incluída...rsrs...


Localizada no ponto mais alto de Marselha, a cerca de 162 metros acima do nível do mar, oferece uma vista panorâmica de 360° simplesmente impressionante: o porto ,os bairros antigos, as intervenções modernase o mar conectando tudo, o que dá ainda mais sentido

Foi encomendada pelo bispo de Marselha, Eugène de Mazenod, e projetada pelo arquiteto Henri-Jacques Esperandieu. A construção começou em 1853 e foi concluída em 1864. 


É também um popular local de peregrinação todos os anos, a 15 de agosto, por ocasião da Assunção de Maria, No interior, é possível ver centenas de oferendas votivas, como pinturas, medalhas e até camisetas do Olympique de Marseille. o time de futebol local.

Unité d’Habitation: o modernismo de Le Corbusier

A icônica Unité d’Habitation de Marseille, projetada por Le Corbusier, é uma das obras mais importantes da arquitetura moderna.

Construída entre 1947 e 1952, ela representa o conceito de “cidade vertical”. O edifício integra apartamentos, comércio e áreas comuns em um único bloco, seguindo princípios funcionalistas.

Mesmo que o acesso interno seja limitado, é possível visitar áreas externas e apreciar sua estrutura brutalista, marcada pelo uso do concreto aparente (béton brut).

Mesmo que o acesso interno seja limitado porque atualmente é um hotel, é possível visitar áreas externas e apreciar sua estrutura brutalista, marcada pelo uso do concreto aparente (béton brut).

                         

MuCEM , Palais du Pharo e  Forte Saint-Jean: passado e futuro conectados

Forte Saint-Jean: história, arquitetura e importância em Marselha

O Forte Saint-Jean é um dos monumentos históricos mais emblemáticos de Marselha e uma parada obrigatória para quem deseja compreender a evolução arquitetônica e militar da cidade.

Localizado na entrada do Porto Velho (Vieux-Port), em frente ao Forte Saint-Nicolas, o forte ocupa uma posição estratégica à beira-mar e atualmente integra o complexo do MuCEM (Museu das Civilizações da Europa e do Mediterrâneo), um dos espaços culturais mais visitados do sul da França.

Mais do que uma antiga fortificação, o Forte Saint-Jean representa séculos de história ligados ao desenvolvimento urbano, militar e marítimo de Marselha.



MuCEM - Museu das Civilazações da Europa e do Mediterrâneo

O MuCEM representa a Marselha contemporânea. MuCEM (áreas externas e passarelas): A entrada no museu é paga, mas caminhar pelas passarelas externas é gratuito.                

Sua estrutura moderna, envolta por uma malhageométrica, contrasta com o histórico Forte Saint-Jean. As passarelas que conectam os dois espaços criam um diálogo direto entre passado e presente — e podem ser exploradas com um passeio ao atardecer
     

Mesmo sem entrar no museu, é possível explorar gratuitamente essas áreas externas e apreciar essa integração arquitetônica única.


Palais du Pharo


Palais du Pharo
 palácio histórico localizado em Marselha, França. Foi encomendado no século XIX por Napoleão III como residência da Imperatriz Eugênia. Atualmente pertence à cidade de Marselha e é usado principalmente como centro de conferências e eventos.

Les Docks Village: requalificação industrial

O Les Docks Village mostra como antigos espaços industriais podem ganhar nova vida.

Os armazéns portuários do século XIX, no bairro de La Joliette, foram restaurados mantendo materiais originais, como pedra e tijolo, integrados a um design contemporâneo. Les Docks Village é um centro comercial, residencial e empresarial. Um espaço moderno que combina a arquitetura industrial em pedra e tijolo com um design de interiores contemporâneo distribuído em quatro pátios temáticos.



Tem praças de alimentação, lojas e dentro fica o museu do Anis.


Museo do Anis- Maison Yellow

O Museu do Anis e da Provença é um espaço digital inovador e interativo que convida você a uma jornada que encanta os cinco sentidos. Ele foi concebido inteiramente em torno do anis, especiaria e sabor intrínsecos à identidade de Marselha. Descubra os ingredientes naturais dos produtos à base de anis, sua história, produção, usos e formas tradicionais de servi-los.

O ingresso ao museu pode ser normal, ou incluir uma degustação na loja/bar na saída. Oferecem Ricard: Considerado "o autêntico pastis de Marselha".

O Pastis é o aperitivo estrela de Marselha e de toda a região da Provença. É um licor com sabor de anis e teor alcoólico entre 40% e 45%.

Surgiu como uma alternativa legal após a proibição do absinto na França por volta de 1915. Em 1932, Paul Ricard comercializou sua própria receita, transformando-a em um símbolo cultural do sul da França. 
Seu nome vem da palavra occitana "pastis", que significa "mistura".

Durante a visita, tem um passeio virtual, nesse carrinho amarelo, que "passa" em todos os pontos turísticos mais famosos de Marselha. Parece o carrinho da Drew Barrymore no filme Como se fosse a primeira vez...rsrs....Muito melhor que ônibus turístico e na sombra :)



O anis é  feito pela maceração e destilação de diversos ingredientes botânicos: Anis estrelado e anis verde: conferem o sabor e aroma característicos. Alcaçuz: adiciona um toque adocicado e notas de caramelo e plantas aromáticas: como funcho, absinto e outras ervas locais da Provença.

Degustação na loja/bar na saída.

O pastis quase nunca é bebido puro; tradicionalmente, é servido seguindo  na proporção: Uma medida de pastis é servida com cinco a sete medidas de água bem gelada. 
E ainda assim fica bem forte.

E ultima dica :
Use calçados confortáveis: tem muita ladeiras e ruas de pedra
Prefira começar cedo no Porto Velho e
Terminar o dia em Notre-Dame de la Garde no pôr do sol :)